domingo, 13 de junho de 2010

Um olhar

"O que de um olhar não for captado
nos lábios não será encontrado,
pois o que diz um olhar
é o que a boca não soube falar,
é o que no peito ficou calado."
- Kali



quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dia 10


Hoje, dia 10 de Junho, é dia de muita coisa.
Dia de Portugal, pois é um feriado municipal, escolhido pela sua população, no decreto que foi publibaco no dia 12 de Outubro de 1910, após a Proclamação da República Portuguesa.
Dia de Camões, pois foi o dia da morte deste grande génio da pátria, poeta e escritor, autor d'Os Lusíadas (eu não sou FANÁTICA pela famosa saga Twilight, mas, enquanto que os estudantes dos outros países são 'obrigados' a ler um dos seus livros para Português, ou seja, o Inglês deles, nós temos o famoso calhamaço 'lusidíaco' que adormecemos a ler. Pois é muito justo, sim senhor).
Dia da Raça e Dia das Comunidades, tendo sido, inicialmente, inaugurado no Estádio Nacional do Jamor, em 1944, em memória das vítimas da Guerra Colonial Portuguesa. E a partir de 1963, tornou-se numa homenagem às Forças Armadas Portuguesas.

Assim, converteram estes dias todos no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Podiam era separar estes dias todos, um em Abril, por exemplo e outro em Fevereiro ou assim, pois, infelizmente, estes meses não têm basicamente feriado nenhum. Os estudantes agradeciam porque não tinham aulas, e quem trabalha para os serviços públicos também certamente ficaria agradado com mais 2 dias de feriado durante a semana. Isso é que era de valor. Agora juntar 3 'celebrações' num só dia... Bah! A isso chama-se batota, meus caros.

quarta-feira, 9 de junho de 2010



Adorei a imagem.
Mini Sermão aos Políticos, por Joana Vincent (só com um nome importante ou estrangeiro é que nos dão ouvidos)
Em Portugal, temos os nossos queridos políticos, o nosso amado José Sócrates, que se exprimem através da boca, através de palreios sem nexo. E dão-nos muita conversa, eles. Mas no fim, acabam por não realizar ou executar nada do que falaram, do que desejam para o nosso país.
Pois, eu proponho-vos a mudar de táctica. Façam como eu.
Eu exprimo-me com papel. Através da escrita, mas, sobretudo, através de desenhos. Faço percorrer todos os meus sentimentos e pensamentos desde o cérebro e/ou coração, até à ponta dos meus dedos.
Experimentem.
Assim, haverá um Portugal mais feliz, menos dores de cabeça e, sobretudo menos dores de ouvidos.
Os melhores e maiores agradecimentos de uma portuguesa infeliz.
Nota: Depois de lerem este mini sermão, puderam verificar que não havia qualquer alegoria. Pois, como é mais do que óbvio, todo o português sabe o que pensamos dos nossos políticos. Não preciso de estar a compará-los com os animais que eles são.
Nota nº 2: Esqueci-me de mencionar uma coisa muito importante. Com tantos políticos que temos a falar sem fazer nada, quando experimentarem a minha táctica, com certeza, haverá muito mais gasto de papel, muitas mais árvores mortas. Por essa razão, peço-vos que o façam em papel reciclado. Não queremos um país cinzento. Queremos um país verde. Obrigado, mais uma vez.
"Don't hate me for the incredible freak I am! Love me for the wonderful person nobody will admit I am!"

"Don't hate me for the incredible freak I am! Love me for the wonderful person nobody will admit I am!"

terça-feira, 8 de junho de 2010

Saudade



SAUDADE
"Em alguma outra vida devemos ter feito algo de muito grave ou ruim para sentirmos tanta saudade"

Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé doiem.
Dói bater com a cabeça na quina da mesa.
Dói morder a língua, dói cárie, dói cólica e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um familiar que mora longe.
Saudade de uma colega de infância.
Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
Saudade da mãe que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas, mas a saudade mais dolorosa é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença e até da ausência consentida.
Você podia ficar no quarto e ele na sala, sem se verem, mas sabiam que estavam lá.
Você podia ir para a escola e ele para o trabalho ou para a faculdade/escola, mas sabiam onde estavam.
Você podia ficar o dia sem vê-lo, e ele o dia sem vê-la, mas viam-se no fim de semana.
Contudo, quando o sentimento de um acaba ou torna-se menor ao outro sobra apenas uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber se ela continua fungando na hora de dormir.
Não saber se ele ainda carrega aquela mochila para qualquer lugar que ele vá.
Não saber se ela continua amando empadão.
Não saber se ele continua a ser tão ciumento e neurótico.
Se ela continua assistindo as aulas.
Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre de dieta.
Se ele continua adorando redbull.
Se ela está fumando menos.
Se ele continua sorrindo daquele jeito lindo.
Se ela aprendeu a pensar mais com a cabeça do que com o coração.
Se ele continua levando tudo na sacanagem.
Se ela continua viciada em doce.
Se ele continua usando aquela fita engraçada.
Se ela continua gostando tanto dele como antes mesmo depois de tudo o que aconteceu.
se ela continua sendo tão fechada daquele jeito com medo de sofrer.
Se ele continua tão romântico.
Se ela continua tão divertida.
Se ele ainda ama música antiga.
Se ela continua com aquelas expressões inglesas e gírias engraçadas.
Se ele continua moreno.
Se ela continua adorando ginger ale.
Se ele ainda usa aparelho.
Se ela ainda usa o mesmo corte de cabelo.
Se ele continua com aquela pele escura feito breu.
Se ele continua com aquele problema de suar demais.
Se ela continua a confiar em todo mundo e se ele continua achando isso tão errado.
Saudade é não saber mesmo.
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos.
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música.
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não saber se ele está com outra e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ela está feliz e ao mesmo tempo perguntar a todos por isso.
É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você
provavelmente está sentindo depois do que acabou de ler.

- Martha Medeiros
(c/ algumas alterações feitas por mim, Joana Teixeira)

"Quando a saudade não cabe no peito, transborda nos olhos."
"A saudade existe não porque estamos longe, mas porque um dia estivemos juntos..."

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Hate me


"Hate me"

(If you're sleeping are you dreaming
If you're dreaming are you dreaming of me?
I can't believe you actually picked me.)

("Hi Justin, this is your mother, and it's 2:33 on Monday afternoon.
I was just calling to see how you were doing.
You sounded really uptight last night.
It made me a little nervous, and a I... and... well... it made me nervous, it sounded like you were nervous too.
I just wanted to make sure you were really OK,
And wanted to see if you were checking in on your medication.
You know I love, and...
Take care honey
I know you're under a lot of pressure.
See ya. Bye bye")

I have to block out thoughts of you so I don't loose my head
They crawl in like a cockroach leaving babies in my bed
Dropping little reels of tape to remind me that I'm alone
Playing movies in my head that make a porno feel like home
There's a burning in my pride, a nervous bleeding in my brain
An ounce of peace is all I want for you. Will you never call again?
And will you never say that you love me just to put it in my face?
And will you never try to reach me?
It is I that wanted space

Hate me today
Hate me tomorrow
Hate me so you can finally see what's good for you

I'm sober now for 3 whole months it's one accomplishment that you helped me with
The one thing that always tore us apart is the one thing I won't touch again
In my sick way I want to thank you for holding my head up late at night
While I was busy waging wars on myself, you were trying to stop the fight
You never doubted my warped opinions on things like suicidal hate
You made me compliment myself when it was way too hard to take
So I'll drive so fucking far away that I never cross your mind
And do whatever it takes in your heart to leave me behind

Hate me today
Hate me tomorrow
Hate me for all the things I didn't do for you

Hate me in ways
Yeah ways hard to swallow
Hate me so you can finally see what's good for you
And with a sad hear I say bye to you and wave
Kicking shadows on the street for every mistake that I had made
And like a baby boy I never was a man
Until I saw your blue eyes cry and I held your face in my hand
And then I fell down yelling "make it go away!"
Just make a smile come back and shine just like it used to be
And then she whispered "how can you do this to me?"

Hate me today
Hate me tomorrow
Hate me for all the things I dind't do for you

Hate me in ways
Yeah ways hard to swallow
Hate me so you can finally see what's good for you
For you, for you, for you.

"If you're sleeping, are you dreaming,
If you're dreaming are you dreaming of me.
I can't believe you actually picked me"


Hey Justin! (12x)

sábado, 5 de junho de 2010

Nelson (F)

Bater as botas.. A morte.. O que há para dizer sobre ela?
Toda a gente já perdeu alguém desta maneira, pelo menos, uma vez na vida.
É um choque, uma dor que nos dá no coração, tão forte que quase nos mata a nós próprios. Não é uma dor qualquer. Não é uma dor física como temos quando nos magoamos, ou caímos. É uma dor sentimental. Uma impressão que nos dá cá dentro, um vazio. Como que se tivéssemos o coração cheio, e, de um momento para o outro, nos tivessem sugado o coração, tal como sugam o ar a um balão. É um sentimento idêntico, um vazio idêntico. Mas pior. MUITO pior.
Quanto mais chegada nos é a pessoa, quanto mais importante é a pessoa para nós, maior é o vazio. Maior é a perda. Maior é o sofrimento. Tenha sido importante no passado ou tenha-o sido mais no presente. Eu já experenciei as duas, nenhuma delas foi leve. Custou tanto uma como a outra. Doeu. Bastante.

Hoje, dia 5 de Junho de 2010, perdi uma pessoa que foi muito importante para mim no início da minha adolescência, perdi um grande amigo, uma pessoa que me fez sorrir em alturas bastante complicadas da minha vida. Fazia hoje 20 anos. Era novo, sem dúvida. Ninguém merece morrer tão novo. Ninguém merece morrer. E não, não foi causada por nenhuma doença, foi uma simples indigestão. Estúpido e sarcástico não?

Fica aqui uma pequena homenagem a um grande amigo, e já agora deixo também uma espécie de carta, visto que nem me pude se quer despedir-me dele.

"Nelson,
Foste das pessoas mais importantes da minha vida, para além de um melhor amigo que ganhei, aquele que me apoiava nos bons e nos maus momentos, aquele que me ajudou a ultrapassar várias dificuldades com problemas familiares e afins, aquele que mudou a minha vida quando eu tinha simplesmente 13 anos.

Lembro-me perfeitamente de como te conheci e do que eu fiz para te conhecer (eu e a Inês). Ainda me lembro como soubémos o teu nome no ano anterior, no salão de jogos no parque, enquanto estavas a jogar com o teu avô. E quando foste para a tua tenda, que te seguimos feitas parvas, incluindo seguir mesmo as tuas pegadas, às tantas da noite, tudo escuro e nós com as luzes dos telemóveis a seguir as tuas chuteiras, Nike 90. E mesmo assim não foi nesse ano que te conheci. Tive que esperar 1 ano.
A tua tenda era a metros da minha. Ganhei coragem para falar contigo. Apresentei-me, mas, com pena nossa, já te estavas a ir embora. Passou-se uma semana. Reencontrámo-nos, passámos a noite inteira (uma noite de karaoke, também me lembro disso, perfeitamente) a falar sobre a vida, sobre as nossas vidas, sobre o que tínhamos, o que não tínhamos feito e o que queríamos fazer até ao momento. Eu tinha 13 anos, tu tinhas 16.
Fizeste-me feliz durante os meses das férias, tendo sido o meu primeiro namorado a sério, (re-)apresentado à família e tudo (sim, porque chegámos à conclusão que tivémos para ser primos e que as nossas famílias se conheciam, espectacular). Foi um Verão perfeito contigo. Lembro-me de tudo como se fosse ontem.
Contei-te coisas da minha vida que nunca tinha contado a mais ninguém. Desabafei contigo, abracei-te a chorar por momentos maus que já tinha passado até ao momento, incluindo a doença da minha mãe. Contaste-me coisas da tua vida que nunca tinhas contado a mais ninguém também. Tragédias familiares, etc, para não entrar em grandes promenores da tua vida. Acho que posso dizer que conheci-te como nunca mais ninguém te conheceu.
Não perdemos contacto durante 4 anos. Continuei a desabafar, mesmo longe, sobre muitas coisas da minha vida que se foram passando.

Pena teres ido. Acredita, com toda a minha sinceridade, vou sentir muito a tua falta. E tudo o que eu me lembro até agora de ti, de nós, lembrar-me-ei para o resto da vida. Foste muito importante. És muito importante.
Não te esquecerei nunca, Nelson. Adoro-te."

(F) Nelson, 05.06.1990 - 05.06.2010